Imagem capa - Se permita parir sem julgar as próprias decisões por Amanda Franco
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Se permita parir sem julgar as próprias decisões

Essa foto enche meu coração de amor. E essa "bebéia" hoje é um ser-humaninho ruivo delicioso e apaixonante!

Mas, a jornada até esse encontro maravilhoso foi intensa, exaustiva e dolorosa.

Parir é possível. Dor sem sofrimento é possível também. Planejar, se informar, buscar uma equipe de confiança também está no universo das possibilidades. Mas, é preciso entender que nem sempre as etapas do trabalho de parto e nascimento serão como nossos planos e sonhos. É preciso boiar e deixar a correnteza do parto definir o trajeto.

Às vezes, nossa mente, nossos medos e pensamentos atrapalham o processo. Às vezes, nosso corpo não funciona como gostaríamos. Às vezes, nossos pensamentos não importam, o corpo simplesmente pare e pronto.

Algumas vezes precisamos de ocitocina sintética para ritmar as contrações ou torná-las efetivas. Pode ser que você não sinta dor durante o processo. Pode ser até que você sinta prazer!

Talvez você não consiga urinar, embora esteja bem hidratada e sinta muita vontade de fazer xixi. Pode ser até que você precise de uma sonda de alívio para que a bexiga não atrapalhe a descida do bebê.

Apesar do seu corpo ser fantástico e você ter preparado lindamente a sua mente, pode ser que seu bebê não tenha se encaixado bem.

Pode ser que você queira analgesia. Pode ser que não. Talvez, após o parto, você decida ter mais 5 filhos. Talvez não queira mais nenhum.

Não se compare a outras mulheres. Não compare seu parto aos delas. Como sempre digo e repito: seu parto é só seu. Único. Sem igual. E os partos delas também pertencem só a elas.

Já vi mulher extremamente ansiosa entrar em trabalho de parto e parir 3 horas depois. Já vi mulher extremamente calma passar por mais de 24 horas de trabalho de parto. Assim como também já vi mulheres controladoras se entregando de corpo e alma ao processo.

E cada vez mais eu penso - contrariando muito do que já pensei, que o parto é um processo que pertence mais ao corpo que à mente.

O fato é que precisamos mergulhar e abrir mão do controle. Se permitir absolutamente tudo. Jogar no lixo (para sempre) o auto-julgamento. E aceitar que demos nosso melhor, que fomos até nosso limite e que somos incríveis por ter ido até ali.

Beijo grande e até a próxima,
Amanda Franco.