Imagem capa - Parto da Josi // A chegada do Thomas por Amanda Franco
Marilda castroTaiza NóbregaAntônio PiresCaren CupertinoParto Domiciliar

Parto da Josi // A chegada do Thomas

Nove de setembro. A equipe se concentrava em um quieto grupo do WhatsApp. Às sete e cinquenta e três chegou a primeira mensagem. A bolsa havia rompido há cerca de 2 horas, Thomas já dava os primeiros sinais de sua chegada.


Conferi o equipamento, que já estava separado e repassei o checklist de saída. Fiquei de sobreaviso, aguardando o próximo contato.





Às dezoito horas, a doula entrou em contato. Era hora de entrar em ação. Josi estava com cinco centímetros de dilatação e chamava por mim.


Dei um cheiro em minha bebê - que na época estava completando 17 meses, me despedi do marido e fui. Era um dia de comemorações para nós também.



Antes das dezenove eu estava lá, em frente à casa da Josi e do Marcelo - que logo seria também a casa do pequeno Thomas.





Quando entrei no quarto, a minha vontade era ficar juntinho, fazer um cafuné, buscar um suco, dizer que ia dar tudo certo e que só de chegar pertinho daquela energia boa, eu já sentia um arrepio na espinha.


Mas, a hora era outra. Era o momento de me camuflar no ambiente. Registrar uma história sem dirigir, sem alterar seu curso. Minha função era desaparecer, tornar-me invisível. Apenas documentar a beleza do nascimento sob o meu olhar.


Olhei para ela e ela sorriu. Sorri de volta, dei um beijo em sua testa e desapareci por trás das lentes.




Os avós maternos estavam na casa em uma visita não planejada. A vovó do Thomas levou um susto, quando soube que o neto nasceria em casa.


O vovô parecia tranquilo, mas vez ou outra arrumava o que fazer do lado de fora da casa só para passar pela janela do quarto onde a filhota estava.






Esse era um parto de primeiras vezes. Era o meu primeiro parto. O primeiro da Josi e do Thomas. E algumas outras primeiras vezes muito especiais, mas que não me pertencem para contar.


Dizia a Marilda (doula) na época que era seu último, um fechamento de ciclo. Eu lembro que torci para que não fosse (e continuo torcendo!). Lorena falava o mesmo. Procurava uma parceira para assumir. Mas, essa vida é difícil de largar. :)





As contrações duravam cerca de trinta ou quarenta segundos. Eram intensas e visivelmente dolorosas. Entre elas, um alívio: outros quarenta segundos sem dor. Uma pausa para fechar os olhos, conversar, relaxar um pouco ou beber um suquinho. A Josi ria, fazia piadas e até enviou algumas mensagens pelo celular. Me lembro dela descrevendo o que sentia como se fosse hoje (lembra disso, Josi?). Arrancou da equipe uma gargalhada uníssona!




Lembro - também como se fosse hoje, do Marcelo (pai) entrando no quarto entre as contrações e balançando a cabeça para cima e para baixo sinalizando para ele mesmo que estava tudo bem. A Josi dizia: "está vindo mais uma", ele se aproximava e enquanto fornecia apoio e suporte olhava para nós em busca de alguma resposta. 


Na primeira vocalização, entre a transição da bola para a banqueta, ele pulou. Encarou a doula por alguns segundos e disse: "eu preciso ir lá fora pedir uma pizza". 


Voltou alguns minutos depois, sentou-se atrás dela e disse: "estou aqui com você".




Estávamos no período expulsivo. Todos nós. Com ela. Quando me dei conta, percebi que estava controlando a respiração, relaxando os quadris e fazendo força. Que bom que só eu notei. Hehe  ;)


A estreia do Thomas estava cada vez mais perto e eu estava preparada para registrar com atenção, técnica e emoção cada anúncio da sua chegada. O espaço era pouco, a luz era mínima, mas eu seguia atenta para capturar aqueles momentos tão importantes.


Thomas queria logo conhecer seus pais. Coroou e nasceu em seguida. De uma vez só. Sem espiar o mundo antes de fazer parte dele.




Josi dizia que sua cabeça parecia pronta para explodir. Recebeu massagens ao mesmo tempo em que recebeu seu bebê. 


Marcelo clampeou o cordão tardiamente, como desejavam. E Thomas foi examinado nos braços da mãe, sentindo seu cheiro e calor, como deveria ser.



O pequeno não gostou nadinha de passar pelo APGAR e gritou bem forte por seus pais, que logo o acolheram.




No quarto, calmaria. Thomas observava atentamente o rosto de sua mãe. Vou pra sempre lembrar desse olhar profundo de reconhecimento e parceria: "mãe, nós conseguimos!".



Família querida, gratidão por esse momento único. Participar dessa etapa da vida de vocês gerou um vínculo maravilhoso entre nós. E esse laço nunca mais se desfez! Nesse dia, Thomas ganhou uma mamãe e eu, uma amiga especial.


Beijo grande para todos!

Amanda Franco.




EQUIPE:


Mãe: Josi Martioli

Pai: Marcelo Marques

Fotógrafa: Amanda Franco

Videomaker: Lorena Lopes

Doula: Marilda Castro

Enfermeira Obstetra: Taiza Nóbrega

Médica Obstetra: Caren Cupertino

Medico Pediatra: Antonio Pires

Acupunturista: Priscilla Motta